Munique

por Paulo Vivan - 25/07/2007

(Munich - 2005)

com: Eric Bana,  Daniel Craig, Geoffrey Rush
direção: Steven Spielberg
roteiro: Tony Kushner e Eric Roth (baseado no livro de George Jonas)

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Munique é um filme de vingança. Agora, a vingança de quem? É a eterna briguinha que ninguém sabe como começou, onde todo mundo sabe que o que faz é errado e que “é a única maneira, chuinf”.

Menos mal pra gente. Afinal, um filme de vingança com armas de festim não dá. Eric Bana (um nome que não daria certo em escolas primárias brasileiras), é o agente do Mossad responsável em caçar e matar os terroristas responsáveis pela morte dos atletas israelenses durante os jogos olímpicos de Munique.

Quando começa a caça em si, o filme entra no modo Ronin, onde cada um do grupo tem sua especialidade. E como Spielberg gosta de um espetáculo, dá pra dizer que esse é o seu Missão Impossível. Afinal, o mundo da espionagem e missões secretas é pequeno, todo mundo se conhece.

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Toda a preparação e a busca pelos terroristas é bacana e dá certo. Mas como ninguém é perfeito, muito menos filme do Spielberg, temos as cagadinhas, ou como alguns gostam de falar, as “marcas registradas” do diretor.

Marca registrada é igual bordão da A Praça é Nossa. Todo programa tem a mesma. E como não podia ser diferente, Munique tem o velho drama do pai. Avner (Eric bana) tem um pai herói. Avner é um novo pai. Avner tem que ficar longe da família e fica atormentado com isso, justamente porque ele é um pai de família.

Tenho a impressão que o dia dos pais deve ser uma choradeira sem fim na casa do Spielberg. Ele deve tomar anti-depressivos e ouvir aquela música do Fábio Jr. Não agüento mais ouvir falar do drama paterno, chega. Eu não preciso fazer terapia, ele sim. Porém, isso só me dá o gancho pra falar do drama número 2, o outro preferido de Steven: a saga do povo judeu.

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Vamos ver, eu já entendi que o povo judeu sofreu na segunda guerra mundial. Eu sei que a briga em Israel é culpa dos judeus e palestinos em partes iguais - embora sempre um vai dizer que a culpa é do outro, somos seres humanos, logo, tá todo mundo na merda mesmo. Mas isso não impede o diretor de fazer o mesmo drama novamente. O negócio é que ninguém gosta de ver uma pessoa, muito menos um povo se fazendo de vítima. E em Munique, terrorista, agente secreto, israelita e árabe, todos se fazem de vítimas. Pare de chorar e vá dividir uma pamonha (se isso não contribuir para emissões de carbono)!

Felizmente, Spielberg resolveu partir para um visual mais documental, e às vezes parecia até que não era ela dirigindo! Parecia um filme de Paul Greengrass, o que é bom, de verdade, e todo mundo sai ganhando.

Munique é bom, às vezes é até muito bom, mas podia ser muito melhor com 20 ou 30 minutos a menos. É como sair da churrascaria na hora certa, antes de seu estômago começar a rasgar. E o filme é assim, especialmente no final.

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Se você não viu o filme não leia o fim desse texto:

O tormento de Avner (Bana) quando ele chega nos Estados Unidos, até antes, quando ele se esconde num quarto e fica paranóico, irrita de verdade. Afinal, como numa cartilha, toda a paranóia que ele podia ter na vida, de todas as coisas que já fez e ouviu falar acontece na mesma hora, na mesma noite, no mesmo quarto. Paranóia concentrada express combo.

E a cena mais bizarra de todas é quando ele está trepando com sua esposa e pensando na morte dos atletas israelenses. Eu, quando estou fazendo sexo, por exemplo, não consigo parar de pensar em filhotes de gato sendo fervidos em um caldeirão de solvente. Super natural. É o tipo de coisa que deixa qualquer um de pau duro, não é?

No final das contas, Munique é um filme decente, bem feito, um dos melhores de Spielberg nos últimos tempos. Mas, ah, se ele fizesse terapia! Vamos fazer uma vaquinha?

Comentários

  1. Bernardo Zirpoli comentou:

    É… a situação lá é bastante difícil, e, apesar de eu ser beeeeem tendencioso, sei que por conta disso, dos dois estarem errados, o lance não vai se resolver nunca.

    Eu gostei desse filme, mas também acho que ele sofre do mesmo problema de AI. Não acaba quando deveria acabar.

    Poderia ter sido melhor, claro, se todos os personagens, terroristas e “agentes” do MOSSAD fossem interpretados por Eddie Murphy.

  2. Erick Vasconcelos comentou:

    20 ou 30 minutos a mais que o desejável é a chaga de todos os filmes atuais. Por que o fetiche com coisas longas?

  3. Fabio comentou:

    Rapá se for pegar o pq da briga iamos muito ,mas muito longe antes de Cristo..dai e melhor deixar pra lá..

    O inicio, contando como os terroristas entraram no predio dos atletas creio foi o drama e suspense do filme inteiro..depois foi so recheio..e as velhas tematicas esteriotipo de sempre..

    Bem ao menos o negocio perdura, melhor que os filmes baseados em stephen king que quase sempre tem finais mediocres..

    bernardo,feitos por eddie murphy com direito a musica do tira da pesada..:D !!

  4. Luciano comentou:

    Paulo, da última vez que falamos em Judeus a coisa rendeu …. rs …
    Filmes que falam em “agentes”, “vingança”, e, principalmente, “secreto”, me reviram o estômago, principalmente quando a causa da briga fictícia é um fato real. É como socar a parede depois de brigar com o sindico, você finge que é a cara dele, mas, enfim, é só a parede, você não esta com a cara dele cravada nos punhos e ainda por cima arrebenta a mão.
    Olha, meu novo pedido para o Cinema Contemporâneo, além de deixarem os HQs em paz, só para os Nerds, e apagar a palavra Remake do dicionário, é de, por favor, deixarem os fatos reais para a National Geographic, Discovery e History Channel e outrens please … pensem nas criancinhas que vão se confundir com a história mal contada no dia do vestibular, ninguém pensa nas criancinhas (?) … áhhh, não estuprem a história já estuprada por favor. E de tabela, deixem os roteiristas espalhados pelo mundo contarem as “estórias” que hoje “jazem” em suas cabeças por causa da lei do menor esforço dos produtores …. é pedir demais?
    O.B.S. - acordei meio radical hoje, daqui a pouco passa … rs

  5. Tarcila Maia comentou:

    Só eu que achei esse filme chatíssimo?

    E a aquela cena dele com a mulher é horrível. Trash mesmo.

  6. Bernardo Zirpoli comentou:

    A música tema de “um tira da pesada” realmente cairia muito bem. Aliás, foi uma das melhores da história do cinema. Sem onda.

  7. Fernanda comentou:

    Filhotes de gato no solvente??!

    Achei que isso era coisa só da minha cabeça…

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