Abelhas: Ataque Mortal

por Paulo Vivan - 16/04/2007

(Flying Virus - 2001)

com: Gabrielle Anwar, Craig Scheffer, Rutger Hauer
direção e roteiro: Jeff Hare

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Este é o terceiro filme seguido do qual escrevo que tem DOIS PONTOS: SUBTÍTULO. Deve ser uma tendência. Ou uma grande coincidência. De qualquer maneira, aí está uma dica para tese de doutorado.

Tem gente que tem medo de abelhas. Eu tenho medo de filmes sobre abelhas assassinas. Mas não é por isso que eu não vou assisti-los. E foi assim com este. E ainda tinha um atrativo. O filme se passa no Brasil. Não que isso seja coisa boa, porque pior do que filme nacional ruim, é filme americano ruim que se passa em território nacional.

abelhas2O filme é assim. Rutger Hauer é o vilão que quer usar abelhas assassinas pra alguma coisa (dinheiro, terrorismo, dominação do mundo, o de sempre) só que as abelhas são guardadas por um tal de Povo das Sombras. Enquanto isso, alguém tem uma mala cheia de abelhas dentro de um avião rumo a Nova York, e enquanto isso temos a história da cientista boazinha que… não sei o que ela faz nessa parte do filme, não prestei atenção, foda-se. É o suficiente.

Mas como sempre, se o filme é sobre abelhas assassinas, as abelhas tem que matar alguém, certo? Uma abelhinha foge da maleta do cara no avião e pica um passageiro. Uma única gota de sangue escorre como uma lágrima de seu olho que ficam totalmente vermelhos. E o passageiro faz cara de doente e morre logo depois. Aí, claro, o nosso herói Craig Scheffer, resolve investigar.

Enquanto isso, numa cidade com cadeiras e mesas da Tok&Stok um helicóptero passa e fuzila todo mundo que tomava Caracu nos botecos. Daí surge Rutger e com ajuda de um capanga brasileiro atormenta o pessoal da vila pra descobrir onde fica o Povo das Sombras, os guardiões das abelhas. Mas não sei porque, Rutger mata o tradutor!!! Pra que?? Agora ela vai falar com os brasileiros como?? Duvido que o povo daquela vila frequentava o CCAA.

Agora voltamos para a mocinha que descobrimos ser jornalista e ex-namorada do cara do avião e que sabe que as abelhas estão infectadas com um vírus ou algo assim. Que pena. E ela não sabe o que fazer. Que pena. E ela corre pela floresta atrás da cura. Que pena.

abelhas3As partes mais emocionantes do filme são no avião. As abelhas escapam todas da mala e invadem o avião, todos vão pra primeira classe isolam as abelhas na econômica. Que burrada, pessoal. As abelhas são assassinas e vocês ainda deixam elas na classe econômica? Não é a toa que elas querem matar vocês. Enfim, naturalmente como eu já vi várias vezes no Discovery Channel, as abelhas formam uma espécie de bola gigante e empurram a passagem bloqueada da primeira classe. E aí todo mundo começa a ser picado e chorar sangue. Inclusive eu. Só que uma mocinha pega um extintor de incêndio e ataca as abelhas! ” Tomem isso, e isso, e mais isso” são frases que são realmente pronunciadas. Eu juro!

Ah e tem o Povo das Sombras. Índios. Uau, que original. E eles tem a cura para o vírus. Claro que sim. Mas alguém ouviu eles antes? Claro que não. Provavelmente mataram o intérprete deles também. Enfim, todas as abelhas do avião morrem graças ao extintor de incêndio. O vilão morre picado por uma abelha, claro!!! O que você esperava?

Eles não podem ter feito mais do que uma tomada para cada cena do filme. E o filme todo deve ter levado uma semana para ser feito, incluindo o roteiro e a pós-produção. No final do filme a única coisa que eu esperava era navegar pela internet e ler a seguinte notícia “Enxame de abelhas assassinas mata equipe do canal pago Telecine”.

Comentários

  1. MadTeaParty by DaniCast » Blog Archive » Cinema ruim com risada comentou:

    […] Lembra aquele filme horrível que tinha abelhas assassinas no Brasil? Pois então, o Paulo viu. E não apenas viu, ele analisou. […]

  2. Luciano comentou:

    Sabe, meu psicólogo me convenceu que eu tenho que traçar uma meta para minha vida, e é por isso que eu decidi levar em frente minha intenção de exterminar a humanidade. Depois de muito tempo analisando várias alternativas, eu fico muito ofendido quando o cinema apresenta um vilão de quinta, com um plano de décima. De qualquer forma, estou começando a acreditar que muitos cineastas tem o mesmo amor pela humanidade que eu.

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